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Conviver com uma depressão há quase 10 anos

Quase todas as pessoas que olham por mim não diriam que eu sofro de depressão há quase 10 anos e continuo a ser medicada, porque há alturas em que tenho picos de crises.

Tudo começou quando terminei um relacionamento de longa data, já com casamento marcado e tudo, porque simplesmente naquele momento me caiu a ficha e vi que nunca seria feliz ao lado daquela pessoa. Como em jogo estava eu e a minha felicidade coloquei um ponto final em tudo...o pior foi depois...a pressão em casa, as bocas de familiares...tive alturas em que me passaram coisas horrendas pela cabeça mas aguentei-me firme no barco com a ajuda do doutor Miguel Ângelo.

Um anjo que apareceu na minha vida e que bastou olhar para mim e disse-me tudo o que me ia na alma...já tinha perdido quase 20 quilos, passei de um L para um XS, de um 38 para um 34, estava quase cadavérica, mas felizmente sempre consegui ter forças para trabalhar, até porque como estava a recibos verdes não tinha direito a baixa médica. Tive de me aguentar, fui buscar forças que nem eu própria sabia que tinha.

Cheguei a dormir sentada (pensava que se me deitasse iria morrer porque tinha um grande aperto no peito que não me deixava respirar normalmente), tinha vários ataques de pânico, só saía de casa para trabalhar porque não me dava bem entre a multidão e as crises de ansiedade eram do pior...felizmente tudo é passado mas serviu para crescer e amadurecer ainda mais.

Tive amigos que me ajudaram bastante e os meus pais também foram as minhas muletas de salvação como eu costumo dizer. De início estavam contra o que tinha feito mas depois quando se depararam com o meu estado fizeram tudo o que puderam por mim.

Não foi fácil mas estou aqui hoje para contar a história. Claro que passado quase 10 anos, e dada a gravidade da depressão que tive, ainda hoje tenho de tomar dois medicamentos diários, muito levezinhos que podem ser tomados por crianças a partir dos 8 anos, e tenho o meu SOS (neste caso o Victan). Faço de quando em quando sessões de Reiki, meditação e caminhadas.

Hoje sinto-me muito bem. Sou casada com a minha alma gémea há mais de quatro anos, sou muito feliz, e embora tenha passado por outras contrariedades na vida (como é normal) sempre as superei sem ser necessária aumentar a dose de medicação (nos primeiros tempos tomava cerca de oito medicamentos diárias).

Já estou na minha boa forma física, voltei a vestir a minha roupa normal (tenho 1,70 m e imaginem-me a vestir um XS....) mas estou sempre de alerta e prevenção...na mudança de estação tomo sempre uns suplementos vitamínicos para aguentar as alterações que sinto no meu organismo e nunca mais tive crises de ansiedade nem de pânico.

Por isso se há coisa que a vida me ensinou foi a viver um dia de cada vez, sem grande stress, tentar encarar cada provação como mais um desafio e seguir em frente, sem nunca olhar para trás, sabendo que eu sou a pessoa mais importante da minha vida. A auto-estima é a palavra chave para nos reeguermos, temos de gostar de nós como somos, e pensar que podemos sempre mais e mais. Tenho também a minha fé que me ajuda muito e faz de mim a guerreira que sou hoje. Muitos me invejam (desde sempre isso aconteceu) mas dou completamente ao desprezo porque o que não me faz bem eu retiro da minha vida. No meu mundo só entra quem faz por o merecer.

Beijinhos a toda(o)s e façam por ser felizes, sempre com um sorriso nos lábios, sem nunca se deixarem abater. A vida é um bem precioso. E nunca ninguém disse que seria fácil!

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