segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Dar de comer a quem tem fome


De louvar a recente criação do “Movimento Zero Desperdício”, numa iniciativa levada a cabo pelo cidadão António Costa Pereira, com o intuito de aproveitar as sobras diárias de grandes superfícies e restaurantes e, desse modo, alimentar muitos portugueses, que de outra forma não têm maneira de ter comida na mesa. No espaço de apenas meio ano mais de 55 mil refeições foram recuperadas com o apoio também de refeitórios de empresas e de grandes eventos realizados, este ano, como o Rock in Rio, Optimus Alive e Estoril Open. “É um número que, todos os dias, felizmente, tem vindo a aumentar, porque, infelizmente, cada vez há mais pessoas com necessidades”, confessou, na semana passada, o responsável por esta iniciativa aos microfones da TSF.
Sob o lema “Portugal não se pode dar ao lixo”, são também avançados os seguintes números na página oficial deste movimento, que nos fazem pensar, e muito: 360 mil pessoas passam fome no nosso país; 20 por cento do nosso lixo é comida; um terço da comida produzida no mundo acaba no lixo, em quantidade suficiente para alimentar 3 mil milhões de pessoas; 50 mil refeições acabaram diariamente no lixo dos restaurantes de todo o país. Infelizmente, parece que estamos a voltar ao período antes 25 de Abril de 1974, durante o qual muitas famílias viviam em claras dificuldades, transformando-nos numa espécie de país do terceiro mundo. Então com toda a austeridade imposta pelo Governo, cujo ponto alto foi a apresentação do orçamento de Estado para 2013, onde, uma vez mais, é quem trabalha que paga uma crise que não criou, não há forma de a atual situação melhorar. Vai piorar, de certeza absoluta, porque citando apenas uma das medidas para reduzir a despesa, vão ser despedidos 10 mil funcionários públicos. Ao invés de cortarem nas gorduras do Governo, seguindo o exemplo de muitos países, onde os ministros reduziram o seu ordenado e acabaram com várias regalias, voltam a carregar nos trabalhadores. Claro que vamos assistir a mais famílias a recorrerem aos bancos alimentares, à espera do seu cabaz, para conseguir uma refeição digna em casa. Triste realidade a nossa, porque tal como dizia José Sarney “a fome é uma agressão à liberdade e à vida”!

 

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