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Políticos ou humoristas?


De acordo com o resultado do rastreio da doença do pezinho, 2011 foi o ano com menos nascimentos em Portugal, não fugindo a uma tendência generalizada a nível europeu. Uma conclusão que causa uma natural apreensão e serviu para a realização de uma conferência, em Cascais, na passada quinta-feira, dia 17 de Fevereiro, no âmbito dos Roteiros do Futuro, promovidos pela Presidência da República. Na sua intervenção, Cavaco Silva apelou aos portugueses para olharem “o futuro além do calendário do programa de ajustamento e construir uma visão de longo prazo”. De facto, é muito fácil desta maneira quando, na realidade, os portugueses vivem cada vez mais em dificuldades económicas e nem era necessária a junção de especialistas de vários quadrantes para encontrar respostas para a baixa da natalidade. Então com o aumento drástico das taxas de desemprego e todas as medidas de opressão instituídas no país, com destaque para os cortes nos abonos de família e demais apoios sociais, perde-se toda e qualquer sustentabilidade futura.
Como é que um casal, que não tenha um considerável fundo de maneiro, pode pensar em ter filhos? O papel dos pais é tentarem proporcionarem a melhor vida possível aos seus rebentos, num lar onde reine o amor e a harmonia mas também uma certa estabilidade para fazer face às despesas correntes. Se assim não for, o melhor mesmo é adiar o aumento do núcleo familiar, para não se correr o risco de sermos invadidos por notícias de abandonos de recém-nascidos e o aumento de crianças entregues às instituições sociais.
E, sem recorrer a qualquer investigação mais profunda, à vista desarmada logo se depreende que esta é uma das causas do problema num país cada vez mais envelhecido e completamente estagnado. O Presidente da República fala em “construir uma visão a longo prazo” e eu pergunto: “Quais os incentivos para que tal aconteça?”. Estas palavras foram proferidas pelo mesmo responsável que há umas semanas chocou o país quando disse que “com os cortes a sua reforma mal daria para pagar as despesas”. Pelo menos, sentido de humor não falta aos nossos governantes, já que antes destas brilhantes palavras - num país onde muitos reformados mal conseguem pagar as despesas mensais de medicação - o Primeiro-Ministro, Pedro Passos Coelho lamentou o facto de “os políticos serem mal pagos”. Aconselho a estas duas personalidades uma visita ao país real para se darem conta da miséria que assola muitos lares e, nos quais, o futuro permanece uma incógnita.

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